6 de Julho de 2009

Negue

Olhava-o com o desespero dos que não têm a coisa desejada e pensava em como sobreviver àquele homem. Negue o seu amor, o seu carinho, gritava desorientada e enraivecida, sentindo-se cada vez menos ouvida e, pior ainda, cada vez mais abandonada. Não conseguia compreendê-lo. O que teria acontecido? O que teria o incomodado? Não haveria outra saída? Perseguia-o pela cidade, procurava-o pelos lugares que um dia freqüentaram juntos, mas nunca o via, nunca o encontrava e não sabia como fazê-lo ouvi-la. Tinha apenas o seu retrato. Diga que você já me esqueceu, pedia à fotografia, como que em busca de uma esperança nunca perdida e ainda tida como possível, apesar de desesperada. Fotografia em mãos, analisava-a detalhe por detalhe, procurando penetrar-lhe e provocar-lhe alguma vida através da qual pudesse reencontrá-lo, tocar-lhe novamente e jogar-se em seus braços. Mas nem assim - nem mesmo assim - conseguia reconquistá-lo. Havia sido desenganada, abandonada e, sistematicamente, desprezada em todas as suas tentativas de reencontro e pedidos de consideração. Mas não o esquecia – e, por isso mesmo, pise, machucando com jeitinho esse coração que ainda é seu, vivia lhe dizendo em pensamento, chorando e sofrendo em uma angústia sem fim. Diga que o meu pranto é covardia, mas – dizia à foto, a ele, antevendo-lhe acusando-a de exageros e dramas injustificados – não se esqueça que você foi meu um dia. Tinha vontade de reencontrá-lo e sufocá-lo com os beijos e as mãos que, agora, alternavam entre a foto e as lágrimas. Tinha vontade de demonstrar-lhe a sua dor, o desespero de quem não sabia esquecê-lo e nem aos dias em que viviam juntos. Carregava a foto consigo e nunca a abandonava. Usava-a para se animar, como quem a si mesmo acalma apagando o fogo com mais incêndios. Não era fácil. A solidão a entristecia e o desamparo a castigava. A sua vida não lhe pertencia e o seu tempo era o tempo de sentir-se desgraçada, impotente e injustiçada. Suas dores eram cortes lancinantes e profundos sofridos sem perdão. Se pudesse encará-lo, se pudesse indagá-lo por mais uma vez, a milésima vez, não seria diferente? Não seria possível que houvesse mudado de idéia? Diga que já não me quer, negue que me pertenceu, suplicava, desesperada, desejando uma resposta que pudesse persuadi-la e conformá-la. E da foto ouvia, alucinada, acusações e acusações que ela mesma não deixava sem resposta: e eu mostro a boca molhada, e ainda marcada, pelo beijo seu...

13 de Junho de 2009

Sim

Quando olho
para o céu,
para as nuvens,

as estrelas,

eu entendo
que as formas,
quaisquer formas são possíveis;
que desejos são possíveis,
que esperanças são possíveis;
que distâncias, inclusive,
também podem ser possíveis.
E por isso compreendo
que a vida é possível
com amores absurdos,
sonhos,
qualquer coisa que queiramos
- e então
eu lhe pergunto:
somos,
nós,
também possíveis?

17 de Maio de 2009

Teria uma chance?

Acordava mais cedo para que pudesse vê-la a caminho da escola. Saía à porta de casa e observava atento a todos os movimentos da rua. Necessitava vê-la. Esse era, há muito, seu melhor motivo para levantar-se da cama. Posicionado, esperava pelo seu aparecimento, pelos seus calmos passos, pelo seu cabelo bailarino e seu olhar tranqüilo, despreocupado. Observava-a em cada detalhe. Com os olhos, acompanhava-a de uma esquina à outra pelo tempo de um brevíssimo minuto que guardava na memória pelo resto do dia. Era capaz de dizer o número de passos que ela dava para atravessar aquele abençoado espaço de uma esquina à outra. Sabia quando ela estava atrasada, quando estava em uma semana de provas; quando, denunciada pela maquiagem no rosto, saíra ou dormira na noite passada. Também sabia quando estava triste, feliz ou doente. Sabia muito sobre ela – pelo menos o que a observação lhe dizia. O resto imaginava. A sua idade, os seus desejos, os seus temores e pensamentos. Adorava o seu jeito e os seus lindos cabelos, os seus doces sorrisos e a maneira encantadora como andava. Há muito já havia se convencido de que não existia outra menina como aquela. Ela era um milagre. Um milagre para a sua vida e do qual não sabia o nome – o nome, de onde vinha, há quanto vinha, por quanto viria e se o notava. Certa manhã, após uma noite em que quase não dormira, resolveu observá-la um pouco mais cedo do que o de costume. Esperou-a na esquina em que sempre a encontrava. Satisfeitíssimo, quase não conseguiu conter a alegria em poder acompanhá-la por um tempo maior. Na manhã seguinte, manhã de uma noite quase toda passada em claro, esperou-a mais cedo ainda, antes mesmo da esquina em que a avistava pela primeira vez. Novos esforços para não se entregar. Nas manhãs que se sucederam, passou a esperá-la cada vez mais cedo. Esperava-a, entusiasmado, enfeitiçado por aquelas horas. Quase sempre, ao observá-la, pensava em perguntar-lhe o nome, se sabia que era um milagre e se o notara alguma vez. Mas nunca o fazia. Não conseguia pará-la, tocar-lhe o braço e dirigir-lhe a palavra – como mil vezes planejara e mil vezes desistira. Suspirava quando a via e perdia a coragem, reduzindo o seu mundo a minúsculos momentos entre esquinas e passos. Nunca a parava. Permanecia calado, apenas a observando e suspirando os ares de coragens esvaecidas. Um dia – um dia que não esperava e para o qual não havia se preparado – teve que trocar a covardia pelo desespero: deixou de encontrá-la. O que teria acontecido? O que teria a afastado? Haveria mudado? Haveria morrido? Como saberia? A quem perguntaria? Quem era? Como se chamava? Por que não falou com ela? Teria o notado? Teria uma chance? A veria novamente? Perguntas, angústias e questões que ficaram sem respostas. Não teve jeito, não houve como, teve que levá-las para o caixão.

3 de Maio de 2009

Respeito

Respeito é amor.

2 de Maio de 2009

Desorientação III

Às vezes, o desespero dá à pessoa a coragem que ela não tem.

29 de Abril de 2009

Ignorância

A
ciência
acredita
que
do
nada,
nada
surge
- ai,
ciência
ignorante
que
não
sabe
o
que
é
saudade
do
amor
que
está
ausente.

26 de Abril de 2009

Três estrelas

Tivesse,
o céu,
apenas
três estrelas,
para alguns ele estaria vazio.
Contudo,
há quem diga
que a beleza está nos olhos de quem vê
- e três estrelas,
eu diria,
podem ser o céu de alguém.

24 de Abril de 2009

Desorientação II

Algumas decisões são bússolas voltadas para a depressão.

18 de Abril de 2009

Desorientação

Alguns olhares são bússolas voltadas para a perdição. 

12 de Abril de 2009

Ai, saudade

Há saudades tão pesadas,
tão pesadas que enlouquecem...
...nem remédios, nem estradas
- os meus olhos não te esquecem.

Há saudades tão doídas,
tão doídas que sepultam
(são saudades, são feridas
as que em mim, agora, avultam).

Ai, saudade de quem amo
e não tenho mais agora
- o teu nome chamo, chamo,
mas, em vão: tu foste embora.

Ai, saudade que me aperta,
contra a qual eu nada posso...
...a minh'alma está deserta,
desolada...que destroço!

7 de Abril de 2009

Lição

A chuva,
que do céu cai,
não reclama quando lançada à Terra de inúmeras iniquidades.
Antes,
procura penetrar-lhe
na esperança de torná-la melhor.

31 de Março de 2009

Também

A verdade só constrói,
não maltrata, não espezinha
(tudo, tudo o que me dói,
eu sei bem, a culpa é minha).

A verdade não destrói,
ela apenas encaminha
(tudo, tudo o que me dói,
eu sei bem, a culpa é minha).

A verdade não corrói,
tão somente ensina e alinha
(tudo, tudo o que me dói,
eu sei bem, a culpa é minha).

A verdade, como sói,
sempre ajuda, sempre aninha
(tudo, tudo o que me dói,
eu sei bem, a culpa é minha).

A verdade às vezes dói,
uma dor que não se tinha,
mas da dor surge um herói
- e, também, a culpa é minha.

23 de Março de 2009

Tem razão

Tem razão quem me afronta,
tem razão quem me condena:
não está pronta, não está pronta
a minh'alma tão pequena.

Têm razão meus inimigos,
têm razão meus detratores:
a minh'alma tem amigos
e conhece apenas flores:

não conheço miseráveis,
não conheço a solidão;
tenho sonhos adoráveis
e uma vida de ilusão;

não conheço a fome e o frio,
o abandono e o desamor;
nunca me senti vazio,
não conheço o medo e a dor.

Tem razão quem me machuca,
quem me esnoba e quem me esquece:
quem o espírito não educa
passa a ter o que merece.

Tem razão quem me atormenta,
quem me enerva, quem me aflige...
...quem a dor não experimenta
nunca aprende e não corrige.

19 de Março de 2009

Charme

Metade do charme de uma mulher está em seus olhos. A outra metade, nos olhos de quem a vê.

26 de Fevereiro de 2009

Um pensamento

Todas as vezes que me deito em minha cama,
eu fecho os olhos e me vem um pensamento;
um pensamento poderoso e que me inflama
tal como o sol inflama os céus, o firmamento:

Estou, Senhor, fazendo jus ao Teu amor?
Fazendo tudo o que consigo e deveria
para ajudar aos que tem fome, sede e dor,
como o Senhor, por ser Amor, por mim faria?


Estou, Senhor, fazendo jus ao Teu amor?
Usando o tempo que me destes para o bem?
Reconhecendo o que na vida tem valor
e procurando a fé levar aos que não têm?


Estou, Senhor, ao Teu amor fazendo jus?
Reconhecendo a minha imensa ignorância?
Reconhecendo que o Teu nome é como luz,
que é toda a luz!, que é luz!, que é luz!, e em abundância?

Senhor, eu sei que sou pequeno e desprezível,
imenso apenas em orgulho, em egoísmo;
que sou também de uma vaidade intraduzível
e que carrego a essência torpe do cinismo.

Senhor, eu sei que Tu viestes dar o exemplo
- o próprio corpo oferecestes ao tormento!
Será que faço do meu corpo um vivo templo
em que habitas o Teu santo ensinamento?

Eu sei, Tu sabes, que sou fraco, melindroso,
intransigente, preguiçoso, inconsequente;
acomodado, indiferente, rancoroso,
ganancioso, irracional, maledicente!

Como, meu Deus, posso ser digno do amor
que no Senhor é a régua própria do infinito?
Responda, Amor, eu faço jus ao teu Senhor?
(talvez a Dor saiba dizer, mas sempre a evito!)

Todas as vezes que me deito em minha cama,
eu fecho os olhos e coloco-me a pensar:
Senhor, Senhor, a consciência já me chama...
...não faço jus, não faço jus...preciso amar!

25 de Fevereiro de 2009

As tuas coisas

É a intenção com que lidas com as tuas coisas que as tornam especiais.

Irreversível

Nem as botas dos soldados alemães,
em França,
nem as botas do astronauta americano,
na lua,
fizeram o tempo parar.
Esse,
senhor do senhor do senhor dos senhores,
não sabe o que é bom,
não sabe o que é mal,
não sabe o que é belo,
amável ou repugnante.
Sabe,
apenas,
soberba e soberanamente,
que todas as coisas
- inexoravelmente -
ocorrem como

prenúncio,
preâmbulo,
prelúdio

do único e inevitável fim a que tudo se dirige:
a divinização do homem.

20 de Fevereiro de 2009

Sabes, sabes, sabes

Sabes, sabes, sabes!
Sabes, sabes bem:
tudo o que em mim cabe
é meu e teu também.

Olhos, sentimentos,
alma e coração;
tens meus pensamentos,
tens minha razão.

Tudo o que em mim cabe,
quase nada é meu...
...sabes, sabes, sabes:
tudo, tudo é teu!

Sabes, sabes, sabes!
Sabes, sabes sim:
tudo o que em mim cabe
é teu, só teu e fim.

9 de Fevereiro de 2009

(Des)importância

Por mais que eu me esforce,
pesquise ou pergunte,
não hei de encontrar
a exata palavra
que melhor defina
a minha infinita,
imensa e impensável,
escassa importância
no arranjo eterno,
perfeito e real,
das coisas que há
- embora eu possua,
em meu pensamento,
total importância
e todo o valor
que eu mesmo me dou.

7 de Fevereiro de 2009

Quantas, quantas vezes, quantas?

Vigiar o telefone
não comer, não sentir fome
não saber o que fazer

Escrever o tempo inteiro
abraçar o travesseiro
todos, todos esquecer

Ter as mãos abobalhadas
as idéias bagunçadas
o pensar desconcertado

Ai Senhor! Por que deixaste
tal perigo acontecer-me?
Por acaso não lembraste
que pedi para esquecer-me?

Quantas? Quantas vezes? Quantas?
Machuquei-me o coração?
Tantas! Tantas vezes! Tantas!
Por que mais uma ilusão?

Não dormir, nem trabalhar,
ver o tempo rastejar
sem que nada me aconteça

Respirar só por suspiros,
por nos olhos luzes, brilhos...
...não ter nada na cabeça...

Ai Senhor! Por que deixaste?
Por acaso não lembraste
que pedi para esquecer-me?

Tantas! Tantas vezes! Tantas!
Quantas? Quantas vezes? Quantas
já pedi para esquecer-me?

2 de Fevereiro de 2009

Após você

Mesmo que Deus todo o meu sangue envenenasse
e assim secasse todo, e enfim, meu coração,
e me dissesse - “Viveria se parasse” -
eu Lhe diria - “Meu Senhor, Te digo não”.

Mesmo que Deus aponte a mim a mão da Morte
e da Desgraça se Sua voz desobedeço,
me faço surdo, cego os olhos, perco a sorte,
mas não te esqueço, não te esqueço, não te esqueço!

Mesmo que Deus me condenasse ao mal eterno
e me fizesse prisioneiro de outras chamas,
as labaredas, eu diria, de outro inferno,
não são tão quentes como o peito de quem ama!

Mesmo que Deus desse-me vida fora desta
caso eu quisesse e se eu pudesse te esquecer,
nessa outra vida - não tão longe do que resta -
eu passaria, morreria sem viver:

não existe vida se não vive-se ao teu lado,
não existe tempo que me faça te esquecer,
não existe nada que do nada foi criado,
não existe vida para mim após você.

1 de Fevereiro de 2009

Freud explica

Do útero de minha mãe direto para o seu seio - apenas Freud compreende o bem que você me faz.

Ainda sobre a saudade

Saudade é um perfume que se passa na alma.

16 de Janeiro de 2009

Saudade

Comecei
a escrever
um
poema
sobre a saudade
quando você
me disse
"adeus".

Como o terminarei?
Quando o terminarei?

5 de Janeiro de 2009

O significado da palavra 'gratidão'.

Gratidão. [Do lat. gratitudine] S. f. 1. Qualidade de quem é grato. 2. Reconhecimento por um benefício recebido; agradecimento, reconhecimento.

Fonte: Dicionário Aurélio

2 de Janeiro de 2009

Dois de janeiro

Aviso para quem estava esperando 2009 chegar para realizar um projeto, começar alguma coisa ou tomar uma decisão: os relógios já marcam 01:01 do dia dois de janeiro. Logo logo serão 02:02, 03:03, 04:04, 05:05 e você está esperando o quê? O tempo passar, o ano novo acabar??

Os significados das palavras 'perdoar' e 'perdoável'

Perdoar. [Do lat. perdonare.] V. t. d. 1. Desculpar, absolver, remitir (pena, culpa, dívida, etc.). 2. Poupar (...); (...)

Perdoável. [De perdoar + -ável.] Adj. 1. Merecedor ou suscetível de perdão.

Fonte: Dicionário Aurélio

31 de Dezembro de 2008

O significado de algumas palavras

Paciência. [Do lat. patientia.] S. f. 1. Qualidade de paciente. 2. Virtude que consiste em suportar as dores, incomôdos, infortúnios, etc., sem queixas e com resignação. 3. Perseverança tranquila. (...)

Dilema. [Do gr. dílemma, pelo lat. dilemma.] S. m. 1. Lóg. Raciocínio cuja premissa é alternativa, de sorte que qualquer dos seus termos conduz à mesma consequência. 2. Fig. Situação embaraçosa com duas saídas difíceis ou penosas.

Mágoa. [Do lat. macula.] S. f. 1. Mancha ou nódoa proveniente de contusão. 2. Fig. Desgosto, amargura, pesar, tristeza. (...)

Paixão. [Do lat. pasione.] S. f. 1. Sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e a à razão. (...)

Tempo. [Do lat. tempus.] S. m. 1. A sucessão dos anos, dos dias, das horas, etc., que envolve, para o homem, a noção de presente, de passado e futuro (...). 2. Momento ou ocasião apropriada (ou disponível) para que uma coisa se realize. (...)

Orgulho. [Do frâncico urgulli, 'excelência', atr. do cat. orgull e do esp. orgullo.] S. m. 1. Sentimento de dignidade pessoal; brio, altivez. 2. Conceito elevado ou exagerado de si próprio; amor-próprio demasiado; soberba (...)

Mentira. [De mentida (...)] S. f. 1. Ato de mentir; engano, impostura, fraude, falsidade. 2. Hábito de mentir. 3. Engano dos sentidos ou do espírito; erro, ilusão (...)

Sincero. [Do lat. sinceru, 'sem mistura; sem malícia; puro'.] Adj. 1. Que se expressa sem artifício, sem intenção de enganar; franco, leal. 2. Que se mostra disposto a conhecer a verdade; franco, leal (...). 3. Dito ou feito sem dissimulação. 4. Verdadeiro, autêntico, puro (...) 5. Cordial, afetuoso (...) 6. Sem afetação ou disfarce (...) 7. De boa fé (...)

Saudade. [Do lat. solitate, 'soledade, solidão' (...)] S. f. 1. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las (...) 2. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido. (...)

Oportunidade. [Do lat. opportunitate.] S. f. 1. Qualidade de oportuno. 2. Ocasião, ensejo, lance. 3. Circunstância adequada ou favorável (...)

Esperança. [Do lat. sperantia, do v. sperare] S. f. 1. Ato de esperar o que se deseja. 2. Expectativa, espera. 3. Fé, confiança em conseguir o que se deseja. (...)

Ódio. [Do lat. odiu.] S. m. 1. Paixão que impele a causar ou desejar mal a alguém; execração, rancor, raiva, ira. 2. Aversão à pessoa, atitude, coisa, etc.; repugnância, antipatia, desprezo, repulsão. (...)

Amor. [Do lat. amore.] S. m. 1. Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa. 2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser (...)

Fonte: Dicionário Aurélio

30 de Dezembro de 2008

Estrelas

Eram três as estrelas. Como não sabia a qual falar, falou às três de uma vez:
- Sempre estivemos juntas e, de alguma forma, completamo-nos em belezas que, isoladamente, sabemos, são inigualáveis. Contudo, as mesmas belezas através das quais lançamos luzes sobre o mundo, orientando e esclarecendo os homens em suas intermináveis e incontáveis voltas, também os confundem e os desorientam por serem fortes, demasiadamente fortes e inexplicavelmente belas.
Após uma breve pausa, continuou:
- Estrelas que estão no céu - céu que tem a cor que quer, até do pecado - respondam-me, eu peço: o que devo fazer?
Depois de algum tempo, ouviu por resposta:
- Importa que você converse. Um pouco de paciência com as pessoas mais lentas e amedontradas, porém! É importante, também, que você fique, ainda, nos bastidores da fama. Entenda. É esse o caminho.
00:28, 00:29, marcavam os ponteiros contando as horas. Vou dormir - pensou - quem sabe eu acordo e é tudo passado. E adormeceu, sem saber que o passado só existe em relógios.

Assim

Deixemos tudo como está, enquanto tudo esteja...assim.